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Comunicação - Artigos de Opinião

Discurso orador no ato de colação de grau da 10ª turma de filosofia do FIBE


Fernando Luiz Seger
Orador da 10ª turma do Curso de Bacharelado em Filosofia formada pelo Instituto Superior de Filosofia Berthier (IFIBE), cuja colação de grau ocorreu em 17/12/2016.

 

Caros professores, amigos, familiares e colegas de turma!

Hoje nos reunimos para celebrar a conquista de mais uma meta em nossas vidas. Hoje temos a certeza de que a vida se faz de conquista de metas, basta contemplar a alegria estampada nos rostos de cada um de nós formandos e nos rostos dos que compartilham desse momento conosco.

Nesta noite não procuramos apenas uma palavra que toca, ou que emociona. Procuramos sim uma palavra que une, que sintetiza, que traz em si mesma a relação existente entre a Filosofia e o Homem, a Filosofia e a Vida. A vida é filosófica. O viver é filosófico.

Durante vários dias, pensamos no que iríamos dizer para vocês no dia de hoje. No entanto, temos consciência de que nossa linguagem não consegue carregar tudo o que queremos dizer.

No encerramento desta graduação de Filosofia, o que podemos dizer com mais segurança é que ficamos sem saber muitas coisas. Não por incompetência nossa ou de nossos mestres. Muito pelo contrário. Acredito que a grande sabedoria consiste em reconhecer as limitações de seu saber.

As perguntas são muitas. Várias são as questões filosóficas. Nem sempre a resposta está pronta. Há uma beleza na dúvida que vale à pena de ser apreciada. Forjar a resposta antes do tempo é a mesma coisa que colher frutos verdes… Demora na dúvida… e descobrir a sabedoria, que insiste em se esconder na ausência de palavras. Só assim conhecerá a outra face da dúvida…

Responder perguntas é fácil. Difícil é ensinar a conviver com as dúvidas, forjar a vida a partir das incertezas, das inconclusões e reticências, permitindo que o mistério sobreviva às constantes invasões da racionalidade, no horizonte de tantas realidades que não são desdobráveis, possíveis de serem dissecadas.

Viver para responder cansa. Há muito andamos lutando para abandonar esse espírito de onipotência que tomou conta de nós. Sentimo-nos na obrigação de dar respostas para tudo. Não sabemos dizer que não sabemos, mas insistimos em falar de coisas que ainda nem acreditamos, só para não ter que enfrentar o desconcerto do silêncio. Falamos porque não suportamos a ausência de respostas.

Neste sentido, estamos entrando no cerne da Filosofia que é definida, etimologicamente como Amor a Sabedoria. Filosofar é, sem dúvida, um exercício de amor, paciência e dedicação. E quando se fala em amor, estamos falando num relacionamento que é construído aos poucos. Amar é conhecer e não conhecer ao mesmo tempo. É estar feliz ou triste. É viver ou morrer. Dessa forma, somos amantes, amigos da Sabedoria.

A nossa função, enquanto filósofos no grau de bacharéis, amantes da sabedoria, é de construir uma filosofia encarnada, cheia de mundo, cheia de vida.

Assim, não ficaremos aqui discursando páginas e páginas sobre o que aconteceu conosco. Até porque cada um de nós fez uma experiência diferente, única, particular. O que queremos dizer, para vocês, nossos colegas, que aceitaram este desafio de tocar o céu através da Filosofia, é que nunca chegaremos lá sem antes fixarmos nossos pés na terra.

Precisamos criar sentido para a vida. Não um sentido metafísico, transcendental, eterno, pronto e acabado. Mas um sentido que a cada dia é construído, recriado, mudado. Criamos certezas repletas de dúvidas, de questões. Pisamos um chão de incertezas, de questões, que na maioria das vezes nunca serão respondidas. E nem deverão ser. Precisamos dessas dúvidas para continuar vivendo. Se solucionarmos tudo, que graça teria viver? Nenhuma.

Agora, depois de refletirmos sobre tudo isso, podemos pensar sobre nossa formatura. Peço licença aos demais presentes para, neste momento, dedicar as últimas palavras deste texto a vocês, colegas de turma, o “caquedo” desta aventura.

É um sonho realizado. Durante os últimos dias não falávamos em outra coisa, era banca, era TCC, era formatura. No entanto, hoje, estamos vivendo este sonho. Ele já se realizou.

Por conta disso, devemos continuar vivendo, e sonhando. Sabemos que de todos nossos sonhos, alguns nunca serão realizados. Outros, como este, se tornaram realidade. Mas o mais importante disso tudo é nunca parar de sonhar. Sonhar com coisas simples, com coisas difíceis, com utopias, sonhar sempre. Este é o caminho.

Caros colegas, foi bom ter sonhado com vocês durante estes 3 anos. Muitas foram as vezes em que sonhamos juntos. Muitas foram as festinhas após cada disciplina. As brigas pelo ar condicionado. Os apelidos carinhosos. O pagamento do dízimo. O chimarrão compartilhado.

Antes de encerrar, uma palavrinha aos nossos mestres:

Ontem, encontramos em vocês pessoas dedicadas e dispostas a contribuir, de algum modo, para a nossa travessia. Hoje, não podemos deixar de externar nosso sincero agradecimento a vocês. Como foram importantes aqueles sorrisos, os abraços, o olhar, um carinho… Agradecemos por ter entendido a nossa pressa, o mau humor e o desespero. Vocês fazem parte do nosso dia-a-dia, nos mostrando, nestes encontros diários, o valor da competência e da dedicação na execução de uma tarefa e a excelência que mora na simplicidade.

Aos funcionários desta instituição, aos membros da Editora. As pessoas da secretaria. Ao suporte de informática, aos serviços da portaria, as pessoas do setor financeiro, ou seja, todos aqueles que compõem a família do IFIBE. Nosso agradecimento.

E nós, formandos:

Cada um parte para uma etapa nova na vida. Será um novo desafio, uma nova forma de sonhar. No entanto, não percamos de vista tudo o que aprendemos nestes três anos. Vamos vivendo e filosofando por aí. Entre dúvidas e certezas. Entre palavras e silêncios.

Faço uso de uma frase do nosso Diretor e amigo Prof. José André da Costa, que diz: “o futuro continua aberto, e a esperança não acabou”.

Aos nossos amigos, familiares:

Queremos externar o incondicional apoio ao longo destes três anos, através de um gesto concreto.


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