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Comunicação - Notícias

Professores participam de seminário internacional


Professores participam de seminário internacional

A Cresol Central SC/RS e a Base Oeste da mesma Central realizaram o I Seminário Internacional de Cooperativismo de Crédito Solidário, nos dias 04 e 05 de julho, em Chapecó. O encontro reuniu lideranças sociais, cooperativistas de várias organizações e movimentos sociais e sindicais, entidades de ensino, Confederação Latino Americana de Cooperativas e Mutuais de Trabalhadores (Colacot), Alcona do México, Coop 57 da Espanha, Centro de Assessoria e Apoio a Iniciativas Sociais (CAIS) indicada pela Miseor da Alemanha, Organização das Nações Unidas para Alimentação e a Agricultura (FAO), entre outros.
O IFIBE também participou do encontro e colaborou no processo de sistematização da Carta Compromisso. Os professores Paulo César Carbonari e Valdevir Both acompanharam todo o evento. O IFIBE assim como outras instituições receberam reconhecimento através de um troféu.

O seminário teve como tema “O cooperativismo solidário transformando a humanidade”. Os objetivos do Seminário foram de promover a reflexão e o comprometimento com a construção concreta e cotidiana do cooperativismo solidário como instrumento de transformação social da humanidade; conhecer experiências da América Latina e Europa sobre organizações que também, através do cooperativismo solidário, lutem por uma sociedade mais justa e igualitária; proporcionar um espaço de reflexão sobre as práticas do cooperativismo de crédito solidário na América Latina e na Europa; reafirmar o Cooperativismo Solidário como instrumento de transformação social brasileiro; estabelecer um Termo de Cooperação entre as Organizações Sociais participantes do evento a fim de fortalecer o Cooperativismo de Crédito Solidário; comemorar os 16 anos de história da Cooperativa de Serviços – Cresol Base Oeste SC; comemorar a Semana Internacional do Cooperativismo e homenagear as organizações e lideranças que contribuíram na construção do Cooperativismo de Crédito Solidário.

As mulheres presentes ao encontro se reuniram a aprovaram uma proposta de ação. Na proposta se comprometem em ampliar e continuar o debate de gênero e a participação da mulher como central na agenda das organizações participantes, dar continuidade e aprofundar o debate sobre a participação equitativa de gênero na direção das organizações e afirmar a necessidade de espaços de encontro, de organização e de discussão das mulheres que atuam no cooperativismo solidário. Juntas as mulheres pretendem se mobilizar para realizar um encontro das mulheres que atuam no cooperativismo de crédito solidário, criar uma rede de intercâmbio de experiências entre as mulheres dos diversos países latino-americanos que atuam no cooperativismo solidário e construir o primeiro encontro latino-americano das mulheres do cooperativismo de crédito solidário. Para isso será formada uma comissão para encaminhar estas propostas construídas no seminário.

No encontro foi aprovada uma Carta Compromisso. Nesta carta, as organizações reafirmam o compromisso ético do cooperativismo solidário com as lutas populares construídas historicamente na organização dos diversos sujeitos sociais populares, que acreditam na cooperação e no cooperativismo como processo de construção coletiva, de participação horizontal, de autogestão compartilhada, de mútua ajuda e intercolaboração entre os diversos movimentos e organizações populares, acima de tudo, de promoção do bem viver e de relações humanizadas numa sociedade livre e justa – Veja a integra abaixo.

 

Carta Compromisso

Transformar a humanidade através do cooperativismo solidário. Esta é a motivação que nos reuniu na Colônia Bacia, no interior de Chapecó, SC, várias cooperativas de crédito, organizações sociais e sindicais e instituições brasileiras, organizações da Argentina, da Espanha e do México, para o primeiro Seminário Internacional do Cooperativismo de Crédito Solidário, convidados pela Cresol Central SC/RS e pela Base Oeste da Cresol Central SC/RS, nos dias 04 e 05 de julho de 2017, na semana internacional do cooperativismo.

No contexto atual os novos liberalismos e o crescimento do empreendedorismo individualista e do consumo irresponsável, o aprofundamento da luta de classes, o crescimento do racismo e da exclusão, a violência de gênero e o feminicídio, a expansão do modelo agroquímico do agronegócio sobre a agricultura familiar, a criminalização da política, o austericídio e a perda de direitos são cada vez mais intensos e atacam conquistas históricas que resultaram de muita luta dos/as trabalhadores/as. Propõe que cada um por si, contra todos/as os/as outros/as, se defenda. Contra tudo isso nos associamos àqueles e àquelas que, aos milhões, no mundo todo, se juntam para resistir a tudo o que propõe este modelo e a buscar, pela cooperação, transformar vidas e construir um mundo melhor.

Reafirmamos o compromisso ético do cooperativismo solidário com as lutas populares construídas historicamente na organização dos diversos sujeitos sociais populares, que acreditamos na cooperação e no cooperativismo como processo de construção coletiva, de participação horizontal, de auto-gestão compartilhada, de mútua ajuda e intercolaboração entre os diversos movimentos e organizações populares, acima de tudo, de promoção do bem viver e de relações humanizadas numa sociedade livre e justa. Reafirmamos que este cooperativismo será obra dos cooperados e cooperadas, e seus aliados/as, ampliando e qualificando a ação cooperativa através de alianças e de colaboração.

Não estamos somente preocupados com os resultados (com o mel produzido), mas estamos também muito preocupados com os processos que geramos e as potências que animamos (as flores polinizadas no recolhimento do néctar). Não queremos ser funcionais ao sistema de crédito do rentismo capitalista. Por isso é que nos juntamos na construção de um projeto de sociedade na qual caibam todos e todas, na qual trabalhadores/as sejam protagonistas da produção sustentável e agroecológica, da alimentação saudável, da conservação da biodiversidade, da diversidade social e cultural, do respeito aos direitos humanos, da construção da justiça de gênero, étnico-racial e de geração, da preservação do modo de vida (econômica, social, cultural e política) da agricultura familiar. Afirmamos que nossas organizações precisam ser construídas desde a base e pela base, com amplo debate e participação, sem subordinação a regras e normas injustas e inconvenientes ao modo cooperativo de ação, também nos comprometemos a fomentar a justiça de gênero e a ampliação da participação da mulher no cooperativismo de crédito. Afirmamos em alto e bom som que temos direito à auto-gestão dos nossos próprios recursos e de organizar as comunidades para que cuidem de seus próprios bens comuns.

Juntos, as várias organizações populares participantes deste I Seminário, reafirmamos nosso compromisso histórico com a construção de um projeto popular, com a organização dos trabalhadores e das trabalhadoras, dos agricultores e das agricultoras, com a construção da economia social, popular e solidária na qual as finanças e o crédito tenham um lugar de fomento à economia real, aquela que transforma de modo concreto a vida das pessoas. Este é desejo que nos move para agir na realidade. Seguimos: olhos no horizonte, pés na estrada, de mãos dadas.

Saímos daqui fortalecidos em nossa responsabilidade de construir solidariedade comprometidos com o enraizamento do cooperativismo de crédito solidário como uma construção coletiva que é dos/as trabalhadores/as para os/as trabalhadores/as. Seguiremos organizando a mobilização e a pressão para reagir aos ataques aos direitos dos/as trabalhadores/as e para exigir novos direitos. Faremos destas responsabilidades e compromissos uma tarefa cotidiana que será levada à frente de mãos dadas, através de alianças e parcerias que fortaleçam nossa unidade e nos irmanem solidariamente nas lutas.

Chapecó, Comunidade Colônia Bacia, SC, Brasil, 05 de julho de 2017.

Participantes do I Seminário Internacional de Cooperativismo de Crédito Solidário


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