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Comunicação - Artigos de Opinião

Visita à Casa do Cisne em Bruxelas


Visita à Casa do Cisne em Bruxelas

Num final de tarde de domingo, foi assim que conheci a Grand Place, a praça central do mercado da antiga Bruxelas, onde está um conjunto arquitetônico tombado pela Unesco como patrimônio da humanidade.

Nesta praça está, de um lado, o Hôtel de Ville (prefeitura), com sua belíssima arquitetura gótica do século XV, e, à frente dele a Masion du Roi, hoje o Museu da Cidade, outra imponente construção neo-gótica. Ambas são ladeadas pelas “guildas”, casas que abrigavam as associações de artesãos, cada uma com sua representação típica, todas dispostas para a atividade comercial no entorno da praça.

Entre elas está a Masion du Cygne (Casa do Cisne, de 1698), onde se instalava a guilda dos açougueiros. Nela há uma placa que marca o registro de que Karl Marx a frequentava no período em que esteve em Bruxelas. Hoje ali funciona um Restaurante e Cervejaria (estava fechado quando o fotografamos). Fiquei encantado e fui buscar a informação histórica.

Marx chegou a Bruxelas com sua família, fugindo da França, onde um ano antes havia conhecido Engels. Ele ficou em Bruxelas de fevereiro de 1845 até que, em 04 de março de 1848, foi preso. Sua mulher também. Ambos foram expulsos por “vagabundagem”. Marx, a família e Engels mudaram-se para Colônia, na Alemanha.

Marx teria escrito o “Manifesto do Partido Comunista” (publicado em Londres, em 21 de fevereiro de 1948) nos fundos da Masion du Cygne. Em Bruxelas também teria escrito “A Sagrada Família”, “A Ideologia Alemã” e “Teses sobre Feuerbach”.

A primeira vez passei desatento pela casa... mais uma, tão linda quanto as outras. O fiz daquele estilo turista, mais preocupado com fotos do que com a experiência do momento. Não tinha muito tempo. Seria a primeira visita. Como fiquei em Bruxelas uma semana, voltaria lá alguns dias depois, para fotos, para saborear a experiência de ter estado neste local e,para fazer o que mais se faz nos arredores desta grande praça, comprar chocolate belga e saborear wafer, ambos oferecidos aos borbotões... com dezenas de diferentes sabores... Ali pelas redondezas também se pode sorver das mais saborosas e famosas cervejas artesanais e industriais... delícias.

Assim como o pobre Marx, teríamos gostado de seguir saboreando, por bem mais que algumas horas, dias, ou mesmo por curtos três anos. Não somente pelo chocolate, pela paisagem arquitetônica, pela cerveja... mas por Marx, vale a pena passar, que seja, por este lugar e experimentar a energia que há nele.

Bruxelas, 27 de setembro de 2017.


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