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Comunicação - Notícias

VIII Colóquio Nacional de Direitos Humanos


VIII Colóquio Nacional de Direitos Humanos

Evento debate o direito à resistência e comemora os 35 anos da Comissão de Direitos Humanos de Passo Fundo o VIII Colóquio Nacional de Direitos Humanos foi aberto na noite de 07 de maio, no auditório da Faculdade de Direito (FD), no Campus I da Universidade de Passo Fundo. O evento, que segue nos dias 8 e 9 de maio, tem como tema central os “Direitos humanos e resistência”, atividade que se repete a cada dois anos, nesta edição celebra os 35 anos de atuação da Comissão de Direitos Humanos de Passo Fundo (CDHPF). Na abertura, além da mesa com representantes das instituições promotoras, também houve a entrega do Prêmio Passo Fundo de Direitos Humanos e a apresentação do Grupo Alforria.

O coordenador geral da CDHPF, Paulo César Carbonari, explicou que o Colóquio tem por finalidade provocar a reflexão na sociedade sobre os direitos humanos. “Ele cumpre o papel de chamar a atenção da sociedade para os direitos humanos, porque isso tem relação com a vida de todas as pessoas. O tema é resistência porque ele é um direito chave dos seres humanos. Eles nascem na história da humanidade como resistência, a proclamação da Declaração Universal de Direitos Humanos em 1948 foi exatamente uma forma de resistir ao totalitarismo e à barbárie. Seguimos dizendo que há que se resistir a todas as formas de barbárie e de defender os direitos humanos de todas e todos, todos os dias, sempre”, comentou. Lembrou do poema, “Aos que virão depois de nós”, de Bertolt Brecht, que diz: “Que tempos são estes, em que é quase delito falar de coisas inocentes”. E acrescentou: “Que tempos são estes nos quais o que se vê são mais processos para revogar direitos do que para seu anúncio e realização”. Lembrou do que disse a juíza federal Raquel Domingues do Amaral em 2017, “quando se revoga um direito, despedaça-se milhares de vidas” e que “os governantes que usurpam direitos, como abutres, alimentam-se dos restos mortais daqueles que morrem para se converterem em direitos”. Para Carbonari, é este contexto que mobiliza à resistência. Mas é porque se acredita que isto pode ser mudado que se caminha em nome dela.

A reitora da UPF, professora Dra. Bernadete Maria Dalmolin, salientou em seu discurso a importância da Comissão de Direitos Humanos de Passo Fundo. “Agradecemos à Comissão, que tem um laço muito forte com a comissão estadual e nacional e está sempre a nos provocar, nos ofertando suas múltiplas mãos, nos instigando a produzir debates e a aprofundar questões tão relevantes para que possamos defender todas as formas de vida, para se viver com dignidade”, disse.

O vice-reitor de Extensão e Assuntos Comunitários, professor Dr. Rogerio da Silva, destacou a satisfação da Universidade em sediar o evento. “A UPF tem a prerrogativa de incentivar ações de direitos humanos, e pela primeira vez o colóquio, que já é um evento tradicional promovido pela CDHPF, ocorre na UPF e na Faculdade de Direito. Isso é bastante representativo, porque proporciona que os nossos alunos e professores dos mais variados cursos possam estar presentes nesse evento”, pontuou.

Resistência à opressão
Conforme o presidente da Comissão, sempre que se fala em direitos humanos, se fala em resistir à opressão. “É se opor às violências e às discriminações de todas as formas, que destroem a humanidade, que diminuem os seres humanos e que põem eles em condições de desigualdade. Então, pensar em direitos humanos é pensar nesses processos em que a humanidade, ao mesmo tempo em que diz que temos direitos, tem consciência de que muitos sofrem violações e que não têm seus direitos respeitados”.

A conferência de abertura abordou a temática “Direitos humanos e resistência popular”, com a palestrante Dra. Soraia Mendes (UniCEUB). “Este é um evento que vem de mais de duas décadas em uma construção de discurso de direitos humanos que infelizmente não foi assimilado, não somente no Brasil, mas também internacionalmente e que, mais do que isso, nesse momento, vem sendo duramente combatido. Então, é muito importante pela questão histórica e acredito que falar de resistência sem falar dos momentos pelos quais nós estamos passando é abrir mão de ligações e lições de estratégias de resistência”, comentou. Para ele, o amor como afeto de mobilização da resistência é o fator chave para a construção dos direitos humanos e para fazer frente a uma realidade de ódio e de violência”. Soraia encorajou aos presentes para que sigam em luta, nas ruas, juntos, para promover os direitos humanos.

Prêmio Passo Fundo de Direitos Humanos
Durante o evento foi entregue o Prêmio Passo Fundo de Direitos Humanos, que tem o objetivo de homenagear e promover instituições e pessoas que têm o compromisso, destacando-se na luta pela dignidade e pelo respeito ao ser humano. O Prêmio tem duas modalidades: personalidade e organização. Na categoria personalidade, a premiação foi entregue a Carmem Lorenzoni, religiosa, por seu trabalho desenvolvido junto às trabalhadoras camponeses. Na categoria organização, Oraides de Oliveira e Jorge Vieira receberam a homenagem em nome do Quilombo da Mormaça e Quilombo da Arvinha.

Promoção
O evento é promovido pela Comissão de Direitos Humanos de Passo Fundo (CDHPF) com co-promoção da Universidade de Passo Fundo (UPF), a Universidade Federal da Fronteira Sul, o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-Rio-Grandense, o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul, as Escolas Notre Dame, o Instituto Superior de Filosofia Berthier e a FABE Marau. Também tem apoio do Centro Municipal de Professores (CMP Sindicato), do Sindicato dos Professores do Estado (CPERS), do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos, da Associação Cultural de Mulheres Negras (ACMUN), da Associação das Promotoras Legais Populares (PLPs), do Centro de Educação e Assessoramento Popular (CEAP), do Conselho Estadual de Direitos Humanos, do Movimento Nacional de Direitos Humanos no Rio Grande do Sul, da Cáritas Arquidiocesana, do Projeto Transformação e da Pastoral da Juventude Arquidiocesana, do Instituto Libertarte, do Observatório da Democracia Brasileira e do Diretório Acadêmico América Latina Livre.

Detalhes da programação no site do evento http://coloquio.cdhpf.org.br
Com informações da Assessoria e Imprensa UPF e fotos de Jessica Franca e Redes Sociais


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